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"As pupilas velhas disparam
seu rancor nos jovens casais,
que se abraçam no parque em festa
por entre pombos e pardais;
pálidos de ressentimento,
aqueles anciãos se sentam
vencidos, nos bancos de pedra,
enquanto a noite, muda arqueira,
já lhes aponta a negra flecha,
por não saberem, na partida,
que obscena é a morte, não a vida". ("Parque
Treze de Maio", do livro Meditação sob os Lajedos)
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Quem conhece o setor de Obras Raras da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, talvez nem imagina que além dos escritores de grande reputação dos séculos anteriores, haja outro de tanto peso quanto, e que ainda respira uma poética refrescante aos nossos ouvidos e tino. Eis que surge Alberto da Cunha Melo, simplesmente um dos maiores poetas vivos, não só de Jaboatão, (localidade que ele sempre destaca com muito carinho), mas do mundo também, pois "os bons escritores alcançam a universalidade".
Nos seus passos sóbrios há tanta história para contar, com detalhes tão precisos e bem definidos em suas experiências e casos. E ele não esconde sua ousadia e o seu espírito revolucionário e de luta, que faz jus à motivação marxista latente em sua essência. Mas não apenas o gosto do Socialismo circunda Alberto: existe uma pluralidade de texturas imprescindíveis à formação de qualquer escritor interessado em viver sua Poesia, dos quais Kafka e João Cabral merecem maior destaque, sendo inclusive seus grandes "autores de cabeceira".
Hoje em seus 64 anos, é um dos poucos escritores responsáveis e dedicados, com métricas e rimas bem regradas. Em sua obra
"O Cão dos Olhos Amarelos" há versos octossilábicos, num universo repleto de angústia, como bem retratou Ivan Junqueira no O Estado de São Paulo. Cunha Melo mantém ainda uma construção apurada e zelosa no entorno de seus poemas, ao ponto de realmente isolar-se para a finalização de suas composições. Ele mesmo diz que "a poesia é a tecnologia de ponta da palavra" e que "qualquer autopiedade é um indício para o fracasso". Por isso ele mantém seu rigor e dedicação no aperfeiçoamento da escrita, acreditando que revisar e restaurar os poemas é preciso, e respeitando três critérios em sua construção literária: "o ritmo, a linguagem conotativa e a descontinuidade".
Mas o poeta ainda aborda o cotidiano, mantendo uma escrita rápida, que desperta uma aridez em quem lê. O seus temas perpassam desde o teor de crítica social que há em
"Meditação Sob os Lajedos" até o amor desesperado, frio e crente nos fragmentos de esperança, presentes no livro "Clau". Há uma espécie de neo-realismo independente em Alberto, este grande manancial que felizmente ainda podemos beber.
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Setor de Obras Raras da BPE-PE. Da esquerda para a direita: Josefina Gomes, Adeusa, Vanda, Alberto
da Cunha Melo, Rebeca e Marcelo. Recife, 2006.
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ALFREDO
BOSI: O
cão de olhos amarelos (orelhas) DEONÍSIO
DA SILVA: Gosto
de ler Alberto da Cunha Melo
(prefácio) HILDEBERTO
BARBOSA FILHO: Alberto da Cunha Melo, grande pecador ou seis propostas para uma nova leitura
(pósfácio) Tradição
dos extremos (editoria da revista Continente Multicultural.
Recife: CEPE, ed. n. 64, abril de 2006 "A
poesia não é uma mercadoria".
IVANA MOURA entrevista Alberto da Cunha Melo. Diario de Pernambuco,
Recife, domingo, 07 de maio de 2006, Caderno Viver, p. 08.
Alberto
da Cunha Melo. 40 anos de poesia, por ASTIER BASÍLIO. Augusto, suplemento
cultural do Jornal da Paraíba. João Pessoa, domingo, 07
de maio de 2006. Identidade
e variantes de Alberto da Cunha Melo, por IZACYL GUIMARÃES FERREIRA
(Portal da UBE-SP - Estudos e Resenhas) O
cão de olhos amarelos,
por WALTER CABRAL DE MOURA. Jornal do Commercio, Opinião, 06 de junho
de 2006. A metáfora do vazio na poesia de Alberto da Cunha Melo
, por LILIANE MARIA JAMIR E SILVA. Ensaio acadêmico inédito.
O
cão de olhos amarelos, por ÁLVARO
ALVES DE FARIA. Rascunho, 23 de junho de 2006.
A
técnica da escrita simples, por Henriques Rodrigues. Jornal do
Brasil, Jornal do Brasil, 19.08.2006
Diário
cortante com Kafka nos poços fundos da angústia, por IVAN JUNQUEIRA. O
Estado de S. Paulo, 26 (domingo) de novembro de 2006, Caderno 2.
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