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O monetário círculo
Providencia para
Que não falte nada
Nem sobre nada
Neste como nos outros
Dias anteriores,
Relógios de verniz,
Olhos de estrelas cegas
A cintilar no paraíso.
E após o duplo
Expediente
Um copo de álcool,
Esquecimento.
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Para que as palavras
terminem, se esgotem.
Porém, a manhã
Ainda pergunta-
-rá pelas flores
Que fumam clarões
De peles, de quartos
De sol. À noite
Regressarão
Sinos com sabres
Pela sua gleba
Perfurada com
Névoas delicadas,
Sombras que me lavam
Vestígios de sombra
Marés vazantes e crescentes
Vestem de jambo e sangue velho
Frutas, cubatas condenadas
Ao traje da mortalha e ao da vida
Além dos bares da avenida onde
Damas e Lordes – leite e pão –
Na radiância absoluta
Do amor e da verdade oculta,
Amanhecem querendo
(Mesmo) o amanhecer.
Ardem cios em sonhos.
Mas há sempre uma garça
Ainda não alcançada
A explodir na madura
Vagem de solidão
Sem gordura e sem sal
Que se vê retratada
Na palma reclinada
Sobre o jornal de Sábado
E o nirvana, já em casa,
Numa torta de banana
Nesse final de semana
Sem quintal e feijoada.
Essa meia altura sagra
Só a espuma sossegada
Da ondulação quebrada
Nos escritórios fechados
Com o seu micro-alarde
Em laivos de eternidade
Num rabo escuro de papel,
Finanças de outra fábrica
Já nomeada por um crítico
Obra-prima do pós-político.
Fica a barba mimada por fazer
E eu não sei em que rima hei-de isto ver
Mas já ninguém declama o regresso do sonho
Que menos cresce quanto menos se balança.
No fim do roteiro
O ódio no espelho
De Yacala engulha.
São as horas da Besta.
As ampulhetas do extermínio.
A carne de terceira.
Os funcionários muito assíduos.
Hemorragias internadas
Que envernizam por dentro
A cometer o engano
De cantar tão longe
Sem brisa nem tom.
Tudo isso Deus quis
Neste lugar em
que a vida perde os
sentidos em nome
dos outros que sem
eles tu aprendes
O quanto estás bem,
Tão bem conservado,
Forasteiro e amigo
De amigo na cisão
Do cálculo balístico
Dos interesses e
Das escolhas migrantes.
Quando escolheste
a mudança, lembras-te?
Temias a bala
Azeda do sol.
E enquanto prosperam
Arsenais, negócios
E passam ilesos
Eleições, novembros
Medalhas dos técnicos
Migalhas do povo,
Moças de vinte anos
Depilam-nos os pelos
Nos subúrbios da ordem,
Da floresta afogada
Pelas tranças caídas
A tropeçar nos alarmes
Nos arames que circundam
O cárcere, a esmurrar-se
No banho para não
Masturbar-se na prata
Da cruz escurecida
Entre os seios de blusa.
Este assistir a seco
À própria percepção
De se extinguir no coice
Do laudo rotineiro
Que roça a eternidade
Faz-me pensar que um dia
O abutre que aqueço
Ao calor do meu sangue
Me vai cobrar o preço
E me aquecerá
O esqueleto morto
E me lavará
Com as alegrias
Que deixaram outros
Que são o pão nosso
Para cada dia.
Nessa esperança
me adormeço
Minutos antes
Do expediente.
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