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O poeta pernambucano Alberto da Cunha Melo está comemorando 40 anos de poesia, publicando
O cão de olhos amarelos (A Girafa). Nesses 40 anos, o poeta nascido em Jaboatão, em 1942, publicou 12 livros de uma poesia honesta. Essa é a expressão mais correta para falar destes poemas de um poeta de trajetória digna. Por que digna? Porque a poesia de Cunha Melo sempre trilhou os rumos da poesia que se respeita como poesia, do poema que se respeita como poema. O poeta explica que a primeira parte de seu livro são monométricos (octassilábicos). Homenageia, como diz, uma forma poética da poesia japonesa já extinta, a renka, que repete tercetos ou dísticos. Cunha Melo é um poeta preocupado com a forma do poema, com a estrutura do poema, sempre se dedicando a uma elaboração distante das facilidades atuais na poesia brasileira. Mesmo o verso livre - digamos - tem seu ritmo estabelecido por música. Alfredo Bosi destaca: "...quer-me parecer que O cão de olhos amarelos se vale da retomada frásica e rítmica com vistas a outro efeito, a rigor oposto ao da melopéia encantatória. Trata-se de um modo de compor que tem a ver com o desígnio intelectual de chamar a atenção para o cerne semântico do poema". Correto. "Devo escrever aquele livro/ que sonho ler desde criança:/ um livro para mim, um guia/ de escoteiro, um mapa de estrelas", escreve Cunha Melo, em O livro projetado, que diz ainda: "Alta parede sem limites,/ minha estante bate no céu/ mas está faltando o volume/ encadernado pelo sol". É um poeta na mais correta acepção da palavra, o que mostra que não existe vida poética só no famigerado eixo Rio-São Paulo. Ainda se fala nisso. Nesse eixo existem, de fato, muitos equívocos e mentiras. A poesia de Alberto da Cunha Melo prova que nem tudo se perdeu.
Quem fizer esse acesso, quem proceder à leitura labial de entrelinhas deste livro, estará não sei se diante de alguma espécie de epifania, o que dependerá, evidentemente, da crença teológica e do pathos poético do leitor, mas com certeza, diante de parte substancial do que de melhor se faz em matéria de poesia contemporânea brasileira, neste início de século.
© Rascunho, 23.06.2006
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ALFREDO
BOSI: O
cão de olhos amarelos (orelhas)
DEONÍSIO
DA SILVA: Gosto
de ler Alberto da Cunha Melo
(prefácio)
HILDEBERTO
BARBOSA FILHO: Alberto da Cunha Melo, grande pecador ou seis propostas para uma nova leitura
(pósfácio) Tradição
dos extremos (editoria da revista Continente Multicultural.
Recife: CEPE, ed. n. 64, abril de 2006 "A
poesia não é uma mercadoria".
IVANA MOURA entrevista Alberto da Cunha Melo. Diario de Pernambuco,
Recife, domingo, 07 de maio de 2006, Caderno Viver, p. 08.
Alberto
da Cunha Melo. 40 anos de poesia, por ASTIER BASÍLIO. Augusto, suplemento
cultural do Jornal da Paraíba. João Pessoa, domingo, 07
de maio de 2006. Identidade
e variantes de Alberto da Cunha Melo, por IZACYL GUIMARÃES FERREIRA
(Portal da UBE-SP - Estudos e Resenhas) O
cão de olhos amarelos,
por WALTER CABRAL DE MOURA. Jornal do Commercio, Opinião, 06 de junho
de 2006. A metáfora do vazio na poesia de Alberto da Cunha Melo
, por LILIANE MARIA JAMIR E SILVA. Ensaio acadêmico inédito.
O
cão de olhos amarelos, por ÁLVARO
ALVES DE FARIA. Rascunho, 23 de junho de 2006.
A
técnica da escrita simples, por Henriques Rodrigues. Jornal do
Brasil, Jornal do Brasil, 19.08.2006
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